Prefeitura de Búzios anuncia demissão de 400 professores contratados

Governo justificou medida em função da paralisação das aulas e do corte de gastos com pessoal

A Prefeitura de Armação dos Búzios anunciou na tarde desta sexta-feira (3) o cancelamento dos contratos de 400 professores. A justificativa da Secretaria de Educação para a iniciativa é a paralisação das aulas na rede pública. De acordo com o governo municipal, a demissão dos servidores faz parte de um pacote de medidas de corte de gastos com pessoal por causa da queda na arrecadação própria no período de epidemia do novo coronavírus. Segundo a Prefeitura, a medida será revista quando a situação se normalizar.

A iniciativa revoltou os profissionais da Educação, que foram pegos de surpresa com a decisão. Segundo a coordenadora-geral do sindicato da categoria (Sepe Lagos), Cíntia Machado, os profissionais dispensados é quem vinham alimentando uma plataforma com planos de estudos para os estudantes que estão, momentaneamente, em casa. A modalidade de Ensino à Distância (EAD), inclusive, já havia sido questionada pelo Sepe no Ministério Público.

Mesmo assim, a dispensa dos professores foi muito criticada, por se trata de um momento de pandemia, com a economia enfraquecida e aumento dos gastos domésticos, no período de isolamento social. 

– É uma medida covarde e injusta porque a maioria tem família, filhos e quem está em casa, no isolamento social, percebe que as despesas subiram, e sem contar com esse salário vai ser uma situação desastrosa para essas pessoas, mas também para a economia já combalida da região como um todo. E Búzios, a gente sabe que tem um bom orçamento, dado o seu tamanho. Muitos desses professores deixaram de trabalhar em outras redes, em escolas particulares, porque Búzios oferece o salário 'menos pior' e isso atrai muita gente. Esses contratados jamais esperavam passar por isso. O prefeito tem dado a impressão nas suas falas e na dos seus secretários de que a cidade está em ordem – disparou Cíntia.

A coordenadora do Sepe finalizou dizendo que o setor jurídico vai avaliar uma alternativa, embora uma Medida Provisória do Governo Federal, que acabou de ser editada, permita a suspensão de contratos por 60 dias. 

– A luta política vai acontecer, apesar de não podermos fazer aglomerações. Nós a faremos usando os meios que tivermos à disposição – finalizou a sindicalista. 

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