Proprietários de área desmatada em Búzios afirmam ter sido caluniados pelo chefe do Parque Estadual da Costa do Sol

Donos de trecho particular que foi invadido e devastado por grileiros foram retratados por Marcelo Morel em matéria de TV como sendo uma quadrilha de invasores e desmatadores. Chefe do PECS afirmou que toda a ação realizada no local foi feita dentro da legalidade

Após fiscais do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) realizarem uma operação no bairro de Baía Formosa, em Armação dos Búzios, onde um trecho desmatado foi localizado através de imagens de satélite, um despachante que trabalha para famílias proprietárias da área onde a ação foi realizada veio a público esclarecer algumas questões que teriam sido deturpadas publicamente pelos agentes.

Durante visita à redação do Portal RC24h na manhã desta terça-feira (25), Esmeraldo da Conceição, que estava no local no momento da ação do Inea, desmentiu a afirmação feita a um canal de TV da região pelo chefe do Parque Estadual da Costa do Sol (PECS), Marcelo Morel, que declarou que o grupo que se encontrava no local era formado por invasores e que eles seriam os responsáveis pelo desmatamento.

Segundo Esmeraldo Conceição, as pessoas encontradas na localidade durante a operação do Inea realizada nesta segunda (24) são proprietárias ou representantes de proprietários do trecho, e não "uma quadrilha de invasores", como teria afirmado Marcelo Morel. Além disso, os donos da área não teriam sido os responsáveis pelo desmatamento, conforme noticiou o chefe do PECS.

"O Marcelo Morel fez declarações caluniosas em rede nacional sobre as famílias que estavam no local, afirmando que eles eram invasores e desmatadores, mesmo depois de ter sido esclarecido sobre a verdade. Antes de mais nada, é preciso ressaltar que se trata de um espaço particular e fora das áreas de proteção ambiental, mas que sempre foi preservado pelos donos. Aquelas pessoas que estavam no local são proprietárias ou representantes de proprietárias, e estavam ocupando as imediações justamente para impedir a ação de grileiros, que nos últimos meses, se aproveitaram da ausência dos proprietários no local para fazer invasões, desmatar e lotear a área cujas terras pertencem a famílias de Cabo Frio, Arraial e Búzios. Ou seja, no fim das contas, os donos da terra, que são vítimas e estavam no local tentando garantir o direito deles, ainda acabaram classificados como criminosos" - lamentou Esmeraldo, que complementou:


“O Inea já havia feito uma operação aqui em maio, e toda essa situação havia sido esclarecida. Inclusive, alguns donos de condomínios vizinhos intercederam junto aos fiscais confirmando todo esse relato de que o local havia sido invadido e devastado por grileiros. O que o chefe do Parque Estadual da Costa do Sol fez nesta segunda-feira (24) foi ‘requentar’ um caso que já tinha sido dado como encerrado, e ainda se referiu às vítimas como quadrilha de invasores e desmatadores. Já procurei o Ministério Público apresentando toda a documentação do terreno e um boletim de ocorrência registrado na 127ª DP comprovando todas essas afirmações. O mínimo que esperamos é uma retratação e mudança de postura por parte do Morel e do Inea, que estão ficando conhecidos na região por uma série de ações injustas e abusivas" – declarou.

Após contato da equipe do site, Marcelo Morel afirmou que toda a ação realizada no local foi feita dentro da legalidade, e que quem estaria mentindo sobre os fatos é Esmeraldo:


"Mentir para agentes públicos é crime. Não reconheço despachante ou despachado, reconheço cidadão, criminoso e infrator. Sou agente ambiental e encerrei um ciclo de crimes naquele local. A partir desse momento, as sanções passam pelo poder judiciário" - declarou o chefe do Parque Estadual da Costa do Sol.

Através de nota, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que o Projeto Olho no Verde identificou supressão de vegetal em área da Baía Formosa, em Búzios, localizada na zona de amortecimento do Parque Estadual da Costa do Sol. O gestor da unidade de conservação pode atuar em qualquer operação para reprimir desmatamento em área que pertença ao parque ou no entorno.

O projeto Olho no Verde tem como principal objetivo o combate ao desmatamento ilegal por meio da incorporação da tecnologia do imageamento por satélite e de processamento de dados espaciais. O programa da Seas é capaz de identificar supressão ilegal de vegetação, a partir de 200 metros quadrados de área. Ao identificar o desmatamento, alertas são emitidos para a fiscalização por meio de uma plataforma online.

 

HISTÓRICO DE POLÊMICAS

Marcelo Morel também esteve envolvido em outras polêmicas na região desde que assumiu o comando do PECS, no início do ano. Em fevereiro, após uma operação realizada na Praia do Forno, um barraqueiro afirmou ter sido vítima de uma ação abusiva realizada pelo Inea.

Na ocasião, Wilyam Quintanilha, que trabalha há 15 anos, compartilhou vídeos onde foi destratado pelo chefe do Parque Estadual Costa do Sol no momento em que ia buscar informações sobre o material de trabalho dele que havia sido confiscado sem nenhuma notificação prévia às vésperas do Carnaval. O caso repercutiu no balneário, e até mesmo vereadores e o então prefeito André Granado intercederam na questão em defesa do trabalhador.

Em maio, um homem também relatou uma ação abusiva após ter sido detido enquanto buscava informações na sede do Inea sobre uma demolição realizada no bairro Recanto das Dunas, em Cabo Frio. Clemir de Souza Brito afirma que recebeu voz de prisão sem justificativa alguma, e que alguns móveis apreendidos durante uma operação de demolição simplesmente sumiram no depósito do Inea.


Além disso, o morador ressaltou que nenhuma ordem judicial foi apresentada durante a demolição, e que os agentes do Inea teriam agido de forma truculenta e debochada durante a ação.

Categoria:Meio Ambiente

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